sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ode a Louise Labè * Antonio Cabral Filho - Rj

Ode a Louise Labé
***
Não invejem assim
tão licenciosamente
o objeto amado
e seu amante
pois viver é
amar tão simplesmente
que o contradito
nem se faz constante.

Não há musa solteira
nem coração sem chamas
nem Laura sem Petrarca,
Beatriz sem Dante,
Salomé sem Rilke,
Lila sem Maiacovski,
Carolina sem Machado,
Pagu sem Oswald
ou Louise Labé
sem seus amantes
e eros sem Afrodite.

Inútil opor estrela e brilho,
pois assim como os ateus
neguem existência a Deus
e os judeus ignorem Jesus,
o belo serve à luz.

Mas no céu dos poetas
Louise Labé é diva
senhora de harém particular
e cada deus das suas fantasias
vive plugado ao seu imaginário.
***

terça-feira, 21 de abril de 2015

Quando o Amor Vai embora * Antonio Cabral Filho - Rj



QUANDO O AMOR VAI EMBORA

1
"Quando o amor vai embora", 
qualquer um fica perdido, 
bate cabeça sem rumo,
sofre sem razão de ser,
não vê sentido na vida,
e o desatino se instala
mal se crê predestinado.
2
Os raios de sol da aurora
que veem despertar as flores,
pôr a passarada em coro,
tirar colibris dos ninhos,
e fazer o louva-deus
sorver orvalho nas folhas
viram coisas sem sentidos
"Quando o amor vai embora".
3
"Quando o amor vai embora", 
qualquer valente fraqueja,
os machões cantam de franga,
românticos lacrimejam,
os sonhadores se prostram,
os submissos definham
e os amantes almejados
erguem taças de champagne!
4
As pistas de dança lotam,
mesas guardam confidências,
salões veneram segredos
sob as sedas do silêncio,
corações se tornam vias
dos sonhos mais desejados
que transitem sem prever
"Quando o amor vai embora". 
***